
Uma carta desde o monte
26/06/2025
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31/07/2025
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BH Meta, onde o tempo cede diante da quietude e da vida.
No departamento do Meta se estende um dos esforços de conservação da biodiversidade mais ambiciosos — e, ao mesmo tempo, discretos — da Colômbia: o Banco de Habitat do Meta (BHM). Este projeto nasce da união de interesses entre os proprietários locais e a Terrasos, empresa especializada em investimentos ambientais, com o objetivo de criar uma iniciativa inovadora que gere impacto positivo e ganhos reais em biodiversidade por meio da conservação.
Este é o primeiro Banco de Habitat da América Latina, que iniciou sua estruturação há mais de dez anos, no oriente colombiano, enfrentando desafios ambientais significativos em uma região marcada pelas atividades agropecuária, mineradora e petrolífera — com a meta de dinamizar o processo de conservação da biodiversidade em propriedades privadas.
Há décadas, iniciativas de conservação vêm sendo realizadas em diferentes áreas dos Llanos Orientales, algo crucial por se tratar de uma zona de confluência entre ecossistemas megadiversos, como a Orinoquia, uma região estratégica pela riqueza de sua biodiversidade e pelos serviços ambientais que presta. Atualmente, os esforços do BHM têm permitido proteger espécies endêmicas, manter corredores biológicos e mitigar impactos ambientais, assegurando um equilíbrio ecológico vital para as gerações presentes e futuras.
Além disso, o trabalho contínuo nessa área tem promovido a participação ativa das comunidades locais, integrando saberes tradicionais com abordagens científicas na gestão sustentável do território. Este modelo de conservação inclusiva não apenas fortalece a resiliência dos ecossistemas, mas também impulsiona o desenvolvimento socioeconômico da região, sob critérios de responsabilidade ambiental.
À primeira vista, o projeto se traduz em números
O Banco de Habitat do Meta conta hoje com 1.352 hectares de morichais, savanas e florestas de galeria — ambientes que funcionam como refúgio e rota de passagem para a fauna silvestre. Trata-se de uma unidade de manejo composta por quatro propriedades: Matarredonda, Rey Zamuro, El Recreo e La Colmena.
Ali, a água dita o ritmo: inunda tudo por meses e depois desaparece, deixando para trás um solo rachado e fértil. É um território de contrastes, onde o jaguar e o capivara (chigüiro) compartilham silêncios ancestrais sob um céu imenso. Atualmente, o BHM canaliza obrigações ambientais de oito expedientes distribuídos entre seis clientes dos setores de hidrocarbonetos e energia.
Esse trabalho contínuo tem se expandido oficialmente perante o Ministério do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (MADS). Em 2017, o banco contava com 629 hectares registrados; em 2023, ampliou-se para 1.126 hectares, distribuídas entre 646,03 ha já designadas, 12,03 ha em fase contratual, 454,55 ha disponíveis e 13,84 ha destinadas às instalações e obras do banco. Com a segunda ampliação, há agora 225,64 hectares adicionais disponíveis.
Arquitetas da floresta: o papel estrutural das espécies nativas
Até 31 de dezembro de 2024, foram contabilizadas 30.083 mudas de 35 espécies nativas cuidadas com detalhe. Algumas estão apenas começando — 593 em canteiros de germinação —, enquanto 11.709 crescem em áreas de desenvolvimento e 17.781 se fortalecem em zonas de rustificação, com crescimento apical variando entre 3 e 55 cm.
Entre as espécies que brotam no banco estão nomes que evocam selva e vento: Hymenaea courbaril (Jatobá), Copaifera pubiflora (Copaíba), Handroanthus serratifolius (Ipê-amarelo), Enterolobium cyclocarpum (Orelha-de-negro) e Pseudosamanea guachapele (Guácimo), entre outras.
Elas foram escolhidas não apenas por sua beleza ou resistência, mas porque são as verdadeiras arquitetas da floresta — capazes de tecer, com suas raízes e copas, a estrutura vital de um ecossistema saudável, essencial para esses morichais, savanas e matas ciliares.
O processo é tudo menos simples. Resgatar mudas no campo, mantê-las em viveiro, aclimatá-las e reintroduzi-las exige precisão e paciência. Paralelamente, são protegidas áreas sensíveis, como pântanos, nascentes e corredores ecológicos, onde não se intervém, mas se observa e preserva atentamente cada equilíbrio natural.
Nada disso seria possível sem as pessoas que estão no território todos os dias. César Augusto Barrera Tamayo, representante legal da Rey Zamuro S.A.S., é o operador que lê a paisagem com cada passo, junto de Juan David Rodríguez, guardabosque do BHM. Juan não apenas cuida das mudas, monitora nascentes e repara cercas — ele é também um elo de conhecimento entre ecossistemas. Em 2024, compartilhou sua experiência com as equipes dos Bancos de Habitat La Lope, Mata de Lata e Cañón del Río Cauca, todos localizados em Florestas Secas Tropicais. Sua vivência — baseada no manejo da floresta úmida tropical, da água em períodos críticos e das sabanas do BHM — nutriu e ampliou a troca de saberes entre regiões e biomas.
“A floresta não se restaura sozinha. Precisa de olhos que a leiam todos os dias, mãos que a cuidem e decisões que se sustentem no tempo.”
— Juan David, guardabosque do Banco de Habitat do Meta
Responsabilidade ambiental que transforma territórios
Esse compromisso tem sido possível graças a clientes que apostam na conservação como responsabilidade e propósito. Preservar e restaurar não dependem apenas do território — o acompanhamento institucional é essencial para sustentar a operação. Somente em 2024, foram realizadas 11 visitas técnicas ao BHM, entre acompanhamentos operacionais, percursos com autoridades ambientais e visitas de clientes. Cada deslocamento exige logística, coordenação, recursos e compromisso. Cada presença em campo traduz a vontade de transformar a compensação ou o investimento ambiental em uma ação concreta, mensurável e permanente. Alguns clientes destinam, inclusive, investimentos obrigatórios de no mínimo 1% de seus orçamentos.
Entre as empresas que atualmente direcionam suas obrigações ambientais ao BHM estão: Grupo de Energía de Bogotá, The Oil and Natural Gas Corporation Limited, Oleoducto Central S.A., Vetra Exploración y Producción Colombia S.A.S., Cenit Transporte y Logística de Hidrocarburos S.A.S. e Oleoducto de los Llanos Orientales S.A.
Até o momento, foram designadas 646,03 hectares ao MADS, destinadas ao cumprimento de obrigações ambientais como parte dos compromissos de licenciamento e gestão dessas empresas. E é justamente aí que a compensação ambiental deixa de ser um trâmite para se tornar um investimento profundo no tempo, na saúde do território e na reconciliação com a natureza.
O Banco de Habitat do Meta é mais do que um projeto ambiental: é uma história de pessoas que acreditam na terra, em seus ciclos e em sua capacidade de regenerar-se. Por trás de cada hectare restaurado, há mãos camponesas que plantam com paciência, técnicos que escutam o murmúrio dos morichais e comunidades que ensinam, com sua sabedoria ancestral, a arte de conviver com o território. As empresas que apoiam esta iniciativa não apenas cumprem uma obrigação legal — estão investindo em um futuro em que as crianças do Meta continuarão vendo o azulejo, o cucarachero ou o copetón cruzando o céu, e onde os rios, protegidos pelas florestas que os cercam, seguirão cantando.
Aqui não há soluções mágicas nem atalhos — há dias sob o sol cuidando de mudas, reuniões com anciãos que conhecem os segredos da planície e noites de vigília para garantir que o jaguar tenha um corredor seguro. É um trabalho lento, como o crescimento de uma árvore, mas imparável — porque, quando a conservação é feita com o coração, cada pequeno avanço — um broto verde, o retorno de uma ave, a água clara de um riacho — se transforma em uma vitória compartilhada.
O Banco de Habitat do Meta nos lembra que outro mundo é possível, e que ele se constrói coletivamente, um dia de cada vez.

