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O Relatório da IPBES sobre Empresas e Biodiversidade.
A recente publicação do relatório de Avaliação sobre Empresas e Biodiversidade da Plataforma Intergovernamental Científico-Normativa sobre Diversidade Biológica e Serviços Ecossistêmicos (IPBES, na sigla em inglês) fornece uma base sólida para compreender que a natureza não é uma externalidade, mas sim o ativo estratégico mais crítico do nosso tempo.
Elaborado ao longo de três anos por 79 especialistas de destaque de 35 países e de todas as regiões do mundo, provenientes do meio científico e do setor privado, em consulta com povos indígenas e comunidades locais, o relatório conclui que as condições atuais nas quais as empresas operam nem sempre são compatíveis com a construção de um futuro justo e sustentável, e que essas condições também perpetuam riscos sistêmicos.
Sob a perspectiva da Terrasos, este relatório é uma ferramenta essencial para promover o equilíbrio entre a funcionalidade econômica, social e ambiental dos territórios, pois não apenas identifica riscos, como também traça um caminho claro rumo à transformação dos modelos de negócio.
As finanças da biodiversidade em números
O relatório apresenta estatísticas contundentes que ilustram a atual desconexão entre o crescimento econômico e a saúde dos ecossistemas:
- Crescimento vs. Capital Natural: Entre 1820 e 2022, a economia global cresceu de US$ 1,18 trilhão para US$ 130,11 trilhões. No entanto, desde 1992, enquanto o capital produzido pelo homem aumentou 100% per capita, o capital natural (ecossistemas e recursos) foi reduzido em 40%.
- Financiamento do Impacto: Em 2023, os fluxos financeiros com impactos negativos diretos sobre a natureza foram estimados em US$ 7,3 trilhões, dos quais o capital privado representa US$ 4,9 trilhões e os subsídios públicos prejudiciais outros US$ 2,4 trilhões.
- Lacuna de Investimento: Apenas US$ 220 bilhões em fluxos públicos e privados foram direcionados a atividades que contribuem para a conservação e o uso sustentável da biodiversidade.
- Invisibilidade Corporativa: Menos de 1% das empresas que divulgam informações publicamente mencionam seus impactos sobre a biodiversidade em seus relatórios atuais.
Compreender a Dependência e o Impacto
Um dos pilares do relatório é que todas as empresas dependem e impactam a biodiversidade, seja de forma direta ou por meio de suas cadeias de valor.
A degradação das contribuições da natureza para as pessoas, como a regulação da água, a polinização ou o controle da erosão, gera riscos físicos, de transição e sistêmicos que ameaçam a estabilidade financeira global. Para as empresas, o primeiro passo é reconhecer que sua operação de longo prazo depende da regeneração desses serviços ecossistêmicos.
Níveis de Decisão e Ação
Para facilitar a transição, a IPBES identifica quatro níveis de tomada de decisão nos quais as empresas podem atuar para reverter a perda de biodiversidade e apresenta alguns exemplos, dos quais destacamos alguns a seguir:
|
Nível de Decisão |
Exemplos de Ações Propostas pela IPBES |
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Corporativo |
Para o setor financeiro especificamente:
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Operações |
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Cadeia de Valor |
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Portfólio |
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Rumo a um Ambiente Habilitador
O relatório conclui que, nas condições atuais, o que é rentável para uma empresa frequentemente resulta na perda de biodiversidade. Para mudar isso, é fundamental criar um “ambiente habilitador” por meio de políticas públicas, reformas no sistema financeiro e mudanças nos valores sociais que incentivem a conservação e o uso sustentável.
Na Terrasos, acreditamos que o acesso à informação técnica, a transparência e a colaboração interdisciplinar são fundamentais para que as empresas avancem do compromisso para a ação verificável. O conhecimento já existe; o desafio é integrá-lo ao centro da tomada de decisões econômicas.
Mais Informações
Você pode consultar o documento completo da IPBES no seguinte link:

