O Estado dos Mercados Voluntários de Créditos de Biodiversidade: Tendências e Ideias-Chave
17/02/2025
Um marco na conservação de morcegos na América Latina
28/02/2025
O Estado dos Mercados Voluntários de Créditos de Biodiversidade: Tendências e Ideias-Chave
17/02/2025
Um marco na conservação de morcegos na América Latina
28/02/2025

O renascimento da Floresta Seca Tropical: a história do Banco de Habitat Mata de Lata.

O sol escaldante de Valledupar cobre com sua luz dourada as 710 hectares do Banco de Habitat Mata de Lata, um território onde a resiliência da natureza desafia as adversidades do tempo. Localizado no sudoeste de Valledupar, esse ecossistema enfrenta o desafio da restauração em um país onde a Floresta Seca Tropical foi reduzida a menos de 8% de sua extensão original.

Aqui, onde as estações secas podem durar meses e a vida depende da resistência ao calor e à escassez, Orlando Contreras percorre as trilhas com o olhar atento e a determinação de quem compreende a fragilidade desse território. “Eu sei o que é ver a floresta queimar e não poder fazer nada”, diz, com a voz grave de quem já enfrentou o fogo cara a cara.

Orlando é um dos guardiões do BH Mata de Lata, mas seu vínculo com essa terra é mais antigo do que seu trabalho na Terrasos. Cresceu na região, aprendeu a ler a paisagem com os olhos da experiência e tem sido testemunha das transformações que colocaram o território em risco.

“Aqui, no verão, tudo é seco. Parece um deserto. Mas quando chove, tudo volta a ficar verde e a gente se lembra de que a floresta continua viva”, comenta, enquanto aponta para os primeiros brotos de espécies nativas que começam a germinar, como quebracho, coração fino, sangregado e carvalho.

Há dois anos, Orlando viveu um dos episódios mais difíceis de sua vida. Um incêndio florestal começou em uma das fazendas vizinhas a Mata de Lata, consumindo hectares de vegetação em poucas horas.

Esse tipo de incêndio é uma ameaça constante nas Florestas Secas Tropicais, já debilitadas pelo desmatamento, pelo sobrepastoreio e pela fragmentação. Sem árvores nem cobertura vegetal suficiente, o solo perde sua capacidade de reter água, tornando-se ainda mais vulnerável ao fogo.

Um Banco de Habitat que volta a florescer.

O Banco de Habitat Mata de Lata, com 710,35 hectares de extensão, busca não apenas recuperar esse ecossistema, mas também criar um modelo sustentável que envolva as comunidades em sua restauração. Graças a um investimento estratégico do Fundo de Neutralidade da Degradação da Terra (LDN), liderado pela Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD) e gerido pela Mirova, a Terrasos poderá ampliar seu impacto, alcançando 6.000 hectares adicionais em Bancos de Habitat por todo o país.

Esse esforço não significa apenas reflorestar, mas devolver a vida a um ecossistema inteiro: recuperação de corredores biológicos para espécies em risco, proteção de fontes hídricas como o rio Las Lajas e envolvimento das comunidades locais no manejo do território.

Enquanto Orlando conta sobre a identificação das árvores matrizes, de onde germinaram as primeiras sementes de papayote que ele protege com paciência e dedicação para iniciar sua propagação, diz com um sorriso que mistura orgulho e esperança: “Agora, são essas sementes que estamos plantando aqui.”

Para ele, cada árvore plantada é uma vitória contra o tempo e contra o esquecimento. Porque, se há algo que essa floresta lhe ensinou, é que, mesmo quando o fogo destrói tudo, a vida sempre encontra um caminho para renascer.