
A Terrasos aposta nos Créditos Voluntários de Biodiversidade
10/05/2023
Instrumentos para acelerar as compensações ambientais e outros mecanismos financeiros para a conservação da biodiversidade
11/04/2024
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O desafio da COP16 é a implementação de mecanismos financeiros para a biodiversidade.
Bogotá, 12 de março de 2024
A realização da 16ª Conferência das Partes (COP16) da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) da ONU em Cali, Colômbia, marca um marco histórico na conservação da biodiversidade. Sob o lema “Paz com a Natureza”, a COP16 enfrenta um desafio sem precedentes: a implementação de mecanismos financeiros inovadores para gerir de forma eficaz a biodiversidade em nível global.
A necessidade de ação é evidente e urgente. O relatório da IPBES nos lembra que mais de um milhão de espécies estão em risco de extinção, o que ameaça não apenas a saúde dos ecossistemas, mas também as economias que deles dependem. A COP16 busca enfrentar esse desafio, destacando a importância de mobilizar recursos e executar as ambiciosas metas estabelecidas no Marco Global de Biodiversidade Kunming-Montreal, como a proteção de 30% das terras, águas continentais e oceanos até 2030. No entanto, um dos maiores obstáculos é a lacuna de financiamento, estimada em bilhões de dólares anuais. A COP16 representa uma oportunidade única para abordar esse problema, convidando governos, setor privado, organismos multilaterais e sociedade civil a unirem esforços na busca por soluções conjuntas.
Nesse contexto, a Colômbia surge como líder no desenvolvimento de mecanismos financeiros inovadores. Com um déficit significativo em seu Plano de Ação para a Biodiversidade, o país tem avançado na implementação de modelos eficazes para canalizar investimentos privados em conservação. É o caso da Terrasos, empresa especializada na estruturação e operação de investimentos ambientais. Seu trabalho se concentra em três áreas principais: compensações e investimentos ambientais, análise de impactos e desenvolvimento de estratégias de intervenção, estruturando mais de 30 mil hectares de compensação ambiental sob mecanismos de pagamento por serviços ambientais, compensações por perda de biodiversidade, títulos de biodiversidade, entre outros.
Para Mariana Sarmiento, CEO da Terrasos, “A Colômbia está chamada a liderar a conversa em torno de mecanismos inovadores de pagamento por resultados, bancos de habitat e créditos ou certificados de biodiversidade, graças à sua experiência na implementação desses modelos. Nossa trajetória sólida em compensações por perda de biodiversidade, bancos de habitat e créditos de biodiversidade deve servir de exemplo para o contexto latino-americano e para o Sul Global no âmbito da COP16”.
Ela acrescenta que “os mecanismos de financiamento inovadores, destacados pela Meta 19, são essenciais para alcançar as metas estabelecidas pelo Marco Global de Biodiversidade Kunming-Montreal, pois permitem direcionar fluxos privados para investimentos em conservação da biodiversidade”.
Um exemplo de como o investimento em biodiversidade pode gerar retornos econômicos e ambientais significativos são os Bancos de Habitat, nos quais a Terrasos aposta fortemente. A empresa administra, na Colômbia, 11 Bancos de Habitat registrados junto ao Ministério do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, cobrindo 4.890 hectares nos departamentos de Meta, Antioquia, Cesar e Casanare. De acordo com um documento publicado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) em 2020, os Bancos de Habitat na Colômbia — considerando o valor da biodiversidade — podem gerar um valor presente líquido de 4,9 bilhões de dólares para o país, demonstrando seu enorme potencial transformador, especialmente em regiões ricas em biodiversidade.
A COP16 não se concentrará apenas em declarações e acordos, mas sim na implementação prática de soluções inovadoras — ou seja, deverá passar do discurso à ação. Será uma plataforma para abordar questões-chave sobre o financiamento da biodiversidade: Como alcançar a meta de mobilização de recursos? Como garantir que os recursos beneficiem os territórios mais necessitados? A governança e os processos de tomada de decisão sobre a distribuição dos recursos serão fundamentais nesse esforço.
A COP16 em Santiago de Cali representa um ponto de inflexão na história da conservação da biodiversidade. É o momento de passar da teoria à prática, dos compromissos às soluções concretas — soluções que sirvam de modelo para outras regiões do mundo, destacando a importância do financiamento da conservação da biodiversidade como prioridade global e marcando o início de uma nova era de investimento em biodiversidade.

